« Home | A sério?! » | Sexta feira » | Auto-semelhança » | Está aí alguém? » | Capitão » | Leituras » | Outono » | Mais do mesmo » | Era uma vez... » | Domingo » 

domingo, outubro 30, 2005 

Mundos



Leio hoje na revista do Expresso que no meio da Amazónia, missionários católicos ensinam português e matemática aos índios ianomâmis. Para este povo, um acto que para nós ocidentais é repugnante e condenável, o infanticídio, está perfeitamente enraizado na sua cultura e faz mesmo parte do quotidiano. Justifica-se quando a criança é deficiente, fruto de relações ilegítimas, ou simplesmente, quando as mães entendem que não têm condições para garantir a sua sobrevivência. Para os ianomâmis “a pessoa começa a ter vida quando pega no peito da mãe. Por vezes, dizem que veio ao mundo no tempo que não era dela... Têm de a mandar de volta para onde estava, porque virá depois.”
Quando por cá tanto se discute sobre o exacto momento do início da vida, para este povo parece não haver dúvidas. Faz-me pensar na diversidade de culturas e convicções num mundo que às vezes parece tão pequeno e tão uniformizado, mas onde, no fundo, convive tanta diversidade. Apesar de tal costume me impressionar e repugnar, cada vez me parece mais difícil fazer juízos de valor.

Ainda bem que o Movimento Pró-Vida não sabe disso, caso contrário já estavam os índios todos na pildra.

Excelente post e muito oportuno.

Partilho do sentimento em relação a esta prática, que só comprova que os juízos de valor (e os próprios valores) não podem ser dissociados do contexto cultural e civilizacional.
O maior "crime" é mesmo a intolerância perante a diversidade de culturas e convicções, bem como a tentativa de moldar o mundo e as pessoas à imagem de uma determinada cultura ou civilização que se julga superior, só porque é a sua.

What a great site film editing classes

Enviar um comentário

Links para este post

Criar uma hiperligação